Nos últimos dias, motivei-me a buscar informações sobre o romantismo alemão, especialmente por meio de vídeos do professor da USP, essa verdadeiramente Weltseele do hegelianismo brasileiro, Marco Aurélio Werle. Um em especial me entusiasmou: Goethe e a Filosofia: Teatro e Vida como Formação e Cultura. Em certo momento, ele aborda a obra do filósofo romântico Schiller, A Educação Estética do Homem. Werle menciona indiretamente e de forma breve o seguinte trecho: “Para resolver na experiência o problema político, é necessário caminhar através do estético, pois é pela beleza que se vai à liberdade”. Quando o professor transmitiu esse trecho, o âmago kantiano da minha alma se abalou. Embora minhas éticas transcendentais sejam sustentáveis, elas são incompletas e abstratas, por virem apenas do rígido códice kantiano. A esteticidade é um componente ético por incorporar as experiências humanas no âmbito categórico. A ética não deve proceder apenas do racionalismo, mas também do saber estético. Por isso, cheguei a uma conclusão necessária por si mesma: meu modo de vida não deve se pautar apenas pelos ensinamentos filosóficos e literários, mas também devo educar-me pela estética, para apreender o bom e o belo.
Primeiramente, tomando a conclusão anterior, estabeleço um paralelo com a obra de Goethe, Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister (obra que foi a pauta da exposição anteriormente mencionada), em que a trama acompanha o protagonista Wilhelm, que contraria as expectativas da época ao seguir pelas artes cênicas como forma de alcançar a liberdade individual e a realização pessoal. Nesse sentido, percebi que a adesão à vida teatral era estritamente necessária para mim. O teatro é uma forma absoluta do espírito; a própria arte é também. No meu sono artístico, não percebia a função da arte, o modo como ela revela o verdadeiro em forma sensível. Com essa nova percepção e esse modo necessariamente novo de ser, tomei a decisão de adentrar esse mundo e, com felicidade, vos digo que minha introdução se deu com a peça teatral O Fingidor, de Samir Yazbek.
Concluindo, com aquelas revelações, procurei a programação teatral de São José dos Campos. Particularmente, a maioria das opções me pareceu de enorme desinteresse, ou por serem comédias, ou por não serem nada. Porém, uma delas me chamou a atenção: uma obra sobre Fernando Pessoa. Embora tenha um desconhecimento vergonhoso sobre o autor, qualquer elemento da cultura é agradável a mim. Tive o privilégio de assisti-la no sábado, dia 9, e ainda mais agradável foi a companhia de um amigo pesquisador científico. A peça durou (infelizmente) apenas uma hora e meia, e foram os melhores momentos do meu ano. A peça adentrou e romantizou o meu eu; as atuações e o drama foram apaixonantes para mim. Com isso, percebi que a frase de Schiller realmente tem um toque de razão: apreciar as belas-artes nos torna mais vivos, mais empáticos e racionais.
Por fim, ao encerramento da peça, tive uma brevíssima conversa com a ilustre mente por trás dela, Samir Yazbek. Alegra-me conversar com mentes artísticas como a dele. Após o evento, busquei saber mais sobre o dramaturgo e assisti a algumas entrevistas suas, desejando poder conhecer mais de sua produção, como as obras Fogo-Fátuo, O Eterno Retorno e Uma Família à Procura de um Ator. Além disso, também me interessei em começar a estudar dramaturgia. Embora não queira seguir na área, é sempre bom preencher a si mesmo com as paixões do mundo artístico. Se Kant disse Sapere Aude, eu vos acrescento: Sentire Aude!