Hoje (28/09) estive em uma aula de Métodos de Pesquisa, durante a aula veio o seguinte tema à tona: se sou membro de uma comunidade, eu colho mais informações do que um etnógrafo não pertencente a ela? Automaticamente pensei “não necessariamente” e segui acompanhando o diálogo, dei o meu ponto com a frase “são propostas diferentes”. Desse modo, passei a pensar a etnografia como um encontro entre a realidade do observador e a realidade do observado.
Tal concepção é baseada no que já li de Peter Berger e Luckmann, partindo da ideia de que cada um possui a sua realidade e bom, transmitimos elas e absorvemos a realidade alheia. Enfim, a etnografia deve considerar ambas as realidades. Isto é, nós como cientistas sociais estamos constantemente em debates éticos de pesquisa e do quão confiável é o nosso trabalho, entretanto, as respostas do Outro tanto frente ao semelhante quanto ao diferente são importantes para a compreensão de um grupo.
Portanto, onde quero chegar é que existem múltiplas dimensões que podemos e devemos investigar no nosso trabalho e que não existe uma hierarquia de qual dinâmica entre realidades é mais merecedora de uma elaboração teórica. Bom, com outras palavras, nós não somos imparciais e isso é okay, como disse meu professor: não seria fácil investigar o medo que uma comunidade sente em relação às instituições públicas por um etnógrafo membro daquela comunidade (parafraseando — afinal, minha memória não é a das melhores).
Antes de finalizar, vale ressaltar que não estou fazendo uma definição rigorosa ou buscando reinventar a roda, trata-se somente de um ensaio a partir de uma reflexão que me surgiu durante a aula. Obrigado pela leitura.