Às Cores Desbotadas
Por que vocês sempre voltam? Entende o teu lugar! Todos iguais a mim caíram. Sabes que tua hora irá chegar.
Ó minha vida acinzentada! Do que reclamas, estrangeiro? Até da vida sou apátrida. Que surpresa, percebeste ligeiro!
Ó cores desbotadas que a tudo pertencem! Preenchendo a vida de quem não vence, O que acham que poderão tirar? De alguém que nem sabe o que é ganhar.
Mas que estrangeiro reclamão! Por que vives? Mesmo sem inspiração. Tua vida desbotada, culpa minha? Culpa tua que ela é assim, sozinha. Sofre com a tua falta de paixões! E deixa-me longe de tuas conspirações.
O Volátil Coração
Que coração mais volátil, esse o meu! Morre de paixão, mas não morre de amor. Olha o meu mundo, o mundo mais sem cor. Pelo menos, sou mais feliz que o pobre Orfeu.
Ai, mas que paixão delirante! Tu passas e levas-a contigo. Perco-me em seu olhar cintilante, Que agora me é um olhar antigo.
Do que valem as mais belas melodias, Se não encontro nelas a tua voz? De que valem os meus longos dias? Na minha vida, tu foste o algoz.
Passam-se horas de calor ardente. Ó minha vida, de quem muito sente! Um fim de ciclo que nunca chegará: Essa é a dor de quem nunca amará.