O Fingidor de Samir Yazbek, uma análise

No dia 09/10, fui assistir à peça de teatro O Fingidor, de Samir Yazbek, no teatro do SESI, em São José dos Campos, ou melhor, pude assistir à estreia desta ótima peça! A escolha de Fernando Pessoa para uma produção que pretendia atingir ao público mais novo foi ótima. O espírito zombeteiro que aflige e move a vida de Pessoa, aliado à liberdade artística de uma representação ficcional, foi bem aproveitado. Muitas vezes, peguei-me rindo do mero caminhar travesso de Fernando Pessoa enquanto ele concatenava suas peripécias.

Ademais, vale ressaltar que o público no salão era majoritariamente infantojuvenil. Afinal, estávamos no SESI, e os alunos foram levados para assistir à peça. Era notável como eles também captaram a comicidade da obra. Outro ponto positivo é que ainda existem referências a obras de Fernando Pessoa que um leigo não perceberia, mas que não fazem falta para a apreciação da peça dentro daquilo a que ela se propõe. E, bom, o que deveria ser explicado foi bem explicado, sem parecer forçado — refiro-me à explicação dos heterônimos, por exemplo.

Recomendaria essa experiência a quaisquer adultos que quisessem levar suas crianças para se divertirem, especialmente em um mundo tão conectado e acostumado ao streaming, ao cinema e afins; ou melhor, à cultura já fabricada, editada e, como diriam Adorno e Horkheimer, reificada. Tal como a beleza do jazz verdadeiro, o improviso das “imperfeições” do teatro é o que o torna ainda mais especial nesse modelo de indústria cultural da sociedade. Em minha experiência, fiquei arrepiado e muito mais envolvido emocionalmente com a obra. Mesmo identificando-a como não real, não fui capaz de me manter completamente cético.

A experiência despertou em mim a vontade de voltar a me dedicar à escrita dos meus poemas, crônicas e outras formas de arte escrita. Não é à toa que escrevi três poemas na data em que redijo esta matéria (11/10). Talvez eu os publique em alguma ocasião, provavelmente em uma coletânea dos poemas que acumulei, espalhados pelos meus diferentes cadernos, folhas e nuvens virtuais.

Retomando o foco na obra, consegui cumprimentar o diretor e autor da peça, Samir Yazbek, um homem agradável cuja trajetória despertou o interesse tanto meu quanto do amigo que me acompanhou ao teatro — o mesmo que me avisou sobre a estreia da obra.

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